segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Acontecimento


Bate na minha cara
Com essas palavras
Não ditas
E que eu tomo
Com sede
Monossilábica

Pintei em um quadro
Minha expressão
Diante
Da tua impressão
Não seco

Entorno
De paixão

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A ordem da paixão



Nós nos apaixonamos pelos significantes,  não pelos significados. O que seriam os significantes senão tudo aquilo que vem a oferecer uma leitura do homem, que marcam seu corpo, que deixam impressões, às vezes rasgadas por aí..  É uma cadeia, não uma prisão, é uma narrativa em construção, é uma estrada, que por hora abandonamos, mas depois voltamos a revisitá-la, com novas lanternas. É o desbravador de uma nova linguagem, é o inaugurador de um mundo, apresento-lhes: A bússola do desejo.

A paixão é consensual, está ali um eu nosso, oculto e a mar aberto. Significantes e paixão se incluem em um contexto, do que temporalmente se está sendo, do que está em jogo, fadado a nos colocar a se encontrar: com algo do nosso.







quarta-feira, 17 de julho de 2013

segunda-feira, 27 de maio de 2013

CANTIGA DE AMIGO

Menino de serra
de raro calor,
que abraço te encerra
nos seios do amor?

Clareira e doçura,
a moça solar
aloja sua lua
nos braços do mar.

Tão forte se enlaça
no olhar tal visão,
rebrilho essa graça
em voz e violão.

O golpe e o machado,
o lobo e o uivado,
Amor quando amado
é força ao quadrado.



terça-feira, 21 de maio de 2013

RE - CORRENTE

Sua língua
Sussurra minha,
Desemboca e a soca
Em tom maior.

O teu sexo cheira familiar, 
Germina em minha insanidade, 
Suplico seu alimento, seus frutos grandes e doces
Dura horas, dou duro

Aguadeiro,
Jaz nascente em boca gozo fluente...



                                                                                                                                  



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


Alto mar
Alto lá,
Pesco ressaca, morada do seu olhar
Feito de lua 
Não cessa o renovar..                   








terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Fevereiro

Quando entra fevereiro
Ergo-te o carnaval
Mundo que mora em mim
Habitante tão carnal


No altar da lua cheia
A noite se deita
Clareio-te o dia,
Manhã Prosa
Aurora Poesia.


Máscaras urbanas,
E apenas uma nudez clandestina,


Do tempo que congelei.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O andar do bêbado

Atravessou a rua que o atravessava
Em passos largos, cruzava seu passado


O céu sob a cabeça
O legado sob os pés


Sua pureza era sadia
Orquestrava melancolia; 
Seu ocaso.


Mal disse os olhos uma gota
De saudade, de conhaque


Em seu ventre paria o abismo
Desse solo não pertencente


O finito não vingou
O pressagio sustentou:


Ai moram todos nossos demônios.





segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Imerso legado


E quando ele se foi                                                                        
Branco se fez o papel
Destecido os  horizontes daquela mulher
Da janela avistou murchas as flores
O horizonte em desencanto
Da chaminé somente as cinzas
O vazio transbordou
Tudo que cala aquele opaco olhar


Bebeu mais um gole
E no deserto encontrou torcidas gotas
A tempestade inundou a lucidez rasa


Num trago inspirou toda fantasia que lhe aspirava
Para iludir toda a ilusão que lhe restava
Galgando o legado, esse, de sua ressaca
O alimentou, como se o próprio intitulasse sua calmaria
E  Acreditou dar vida
Há todo imenso que dormia..






Por,
 Clara Lobo e Luizinho Alves.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

"Escreve-se sempre para dar a vida, para liberar a vida aí onde ela está aprisionada, para traçar linhas de fuga"


Deleuze

domingo, 18 de setembro de 2011

Há Menos Trezentos e Sessenta Graus

(...)

O minuto,
Passa,
O ponteiro roda,
O mundo cíclico,

O inverso,
Converte,
O tempo transforma,
O mundo muda ordem,
É o tempo,
Invalidade,

Sem prazo.

(...)



Clara Lobo

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Grãos

A poesia não pode esperar
A poesia não pode
A poesia não
A poesia
A
.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Livre em Condição

Pássaros no céu,                                     
Homens na terra,

Mente no céu,
Pés na terra,

Pássaros em vôo vivem no solo,
Homens na terra vivem aéreos,

A gente pensa ter liberdade pra chegar aonde queremos,
A gente se prende em liberdades todo o tempo,

Vivemos em mito,
Vivemos entre a garganta e o grito,

É tempo do quase,
É tempo do dito,

Somos nossos autores,
Condicionalmente,
Veredicto.




Clara Lobo

sábado, 14 de maio de 2011

IN VERSUS

De dia,
Faz dia,
De noite,
Faz noite,
De tarde,
Faz metade,
Do Infinito que nos resta,


Mistério.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Boca Breve

Não sabes, Clara, que pena
eu teria se — morena
tu fosses em vez de clara!                         Talvez... quem sabe... não digo...
mas refletindo comigo
talvez nem tanto te amara!

A tua cor é mimosa,
brilha mais da face a rosa
tem mais graça a boca breve.
O teu sorriso é delírio...
És alva da cor do lírio,
és clara da cor da neve!

A morena é predileta,
mas a clara é do poeta:
assim se pintam arcanjos.
Qualquer, encantos encerra,
mas a morena é da terra
enquanto a clara é dos anjos!

Mulher morena é ardente:
prende o amante demente
nos fios do seu cabelo;
— A clara é sempre mais fria,
mas dá-me licença um dia
que eu vou arder no teu gelo!

A cor morena é bonita,
mas nada, nada te imita
nem mesmo sequer de leve.
— O teu sorriso é delírio...
És alva da cor do lírio,
és clara da cor da neve!


Casimiro de Abreu 

sexta-feira, 29 de abril de 2011

As margens da vida

Já nasci atrasada
Perco os compassos dos meus passos
E no compasso dessa vida eu ando perdida
A deriva de mim, derivo do que busco
E não do que encontro
Incessante solidão
Medida para minha contradição.


O que em mim mais se contradiz?
Bússola
Tatuo no corpo razão
Mas afeto na vida e sou afetada 
A margem do rio existe um outro lado,
A margem de mim mesma.


A deriva assisto o roteiro da minha vida
Passar em preto e branco
De fora sem protagonizar,
Deixando correr não só a vida
Deixo livre o tempo..


Há tempo
Não me pertenço.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Me convonco a bordo
A profundidade é o transbordamento
De ressaca não só o mar
Significante é o deslocamento.    
                                            


sábado, 4 de dezembro de 2010

Será Santa

A noite acordou                                              
Já tem que correr
Escutando Jorge ben e os Mutantes
Já tem que correr
Deitada no sofá quase que indo                                  
Já tem que correr
Deitada no sofá quase que fico...
Já tem que correr
Ainda é cedo
Já tem que correr
Lua e sol se compondo
Já tem que correr
Ao deleite da lembrança
Já tem que correr
Quase tudo que eu sei
Já tem que correr
Tudo que ainda não vivo
Já tem que correr
Em tudo que deixo
Já tem que correr
Pensamentos em vôo
Já tem que correr
Trilhos sem trilhas
Já tem que correr
O querer da tarde
Já tem que correr
Pescando sutilezas
Já tem que correr
Casamentos do saber
Já tem que correr
Ao sair um pouco de si
Já tem que correr
Quase tudo que sei
Já tem que correr
Detrás do olhar um querer
Já tem que correr
Tudo que ainda não vivo 
Já tem que correr 
Tenta-me o novo 
Já tem que correr 
Reviver é nascer 
Já tem que correr
Toco do alto as estrelas
Já tem que correr
As minhas Flores coloridas
Já tem que correr...

- Daquela Janela eu posso ver um caminho a percorrer... 
Pra que correr? 


Clara Lobo

sábado, 20 de novembro de 2010

Um pensar, um lugar.  
Um lugar, um estado.


Um estado, um instante.
Um instante, o meu tudo.


O meu tudo, o vazio.
O vazio, em aberto.


Em aberto é o que vive.
Fechado é o que mora.


Vive-se onde mora ou mora-se onde vive?


Ao morar e viver
Recolho-me eu, a poesia.




Clara Lobo