domingo, 24 de setembro de 2017

Lacuna

Minha bolsa de expectativas
Anda cheia de faltas
A cada esquina
Desencontros me passeiam
Quero uma agenda para marcar um encontro comigo mesma
Tirar a limpo o que me toca e eu não canto
A pauta será tornar literal o indizível
Entregar ao sonoro o vívido
Fazer das palavras que me fogem uma espécie de hino

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

TELEFONE

Sua voz
Sussurra um antigo som que ecoa
No meu despertar

Um telefone sem fio
Modos diferentes de tratar
Uma linguagem em comum
Comunhão particular

Como lidar
Com o que não cabe falar
Com aquilo que é.. 
Pra já..
Com o que não pode esperar

Com o que vem alarmar
Que aquilo que contêm vida
Não pode tardar



MARÍTMO

Um barco
Um mar
Não sei se vou
Ou se fico

Uma lembrança
Um oceano
Há em mim o que permanece
Outro de mim que se aprofunda

Um eu
Um continente
Barcos de papel a flutuar
É de ancorar desejos
O mergulhar
Pra se encontrar

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Volta ao sol

O ano passa sobre mim
Eu passo sobre ele
Esse tal de Ano novo 
Não me comanda nada
Pra um eu nascer
Abro as Ancas
Gemo
Faço parir:
Uma data fecundada

É de ser

Escrevo com os punhos
Debruço-me sobre o vazio
E o imenso 
Dos verbos sentidos 
Conjugando
O que fui
Existo no imprevisível
 

Oceano

Como tornar palavra
Aquilo que escapa?
É preciso metaforizar o indizível
Qual é o destino
 Dos olhares que não se chocaram?

No paradoxo mora
A linguagem inconsciente da vida
O impróprio da existência
É o que de mais próprio podemos nos encontrar
Lançar de conchas
Sobre o mar

Tic Tac

Pelo meu coração circulam
Os ponteiros do relógio
Temporalizando sentimentos invisíveis
Tatuam em minha carne
Memórias que não tive
Mas que insistem em pulsar
Sobre aquilo
Que em mim 
Insiste

Anonimato

Eu, pseudônimo de mim, você é?
É por incidência que eu sou eu
Eu sou o acaso do que está dado
Pertenço a um mundo que me foi enraizado
Mas que não me deu mais notícias
Intrínseco martelo
 Martela-me os compassos da vida
Para que ciclo vou, se o que se interrompeu ultrapassa o meu eu?
Busco respostas em meu inconsciente
Pra sair da decrescente
Os meus tatuadores simbolizam melhor meu imaginário do que eu
Para que destino vou se eles subscrevem meu consciente com mais formas do que eu?
Entro em convulsão com o mundo
Fico aberta a consequências
Então pergunto do meu submundo à minha consciência:
Responderei minha anônima presença?

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Vir a ser

Os transformistas tem a fúria
De subverter
O que os cristaliza
A um ideal
De cunho moralista

É preciso mais
Transbordamento
No lidar com um mundo
Que tole pertencimentos


Tornar

Pra um eu nascer
Basta ócio
Se deixar vir a tona
Daquilo que desassossega
No buraco
Que nos cega

Memória

Marisa Monte
Registro íntimo
Memórias de uma meninez
Nascimento de um romance
Pessoal e anônimo
Ínfimo 
Do que repousa vívido
Intransferível

!!!

Um lugar
Não é algo que se dá
É algo que se crava
com os dentes
do desejo

Ser Com

O atravessamento
É do encontro
De almas 
Dispostas
A colocar em jogo
Sua existência

Escuta

Há dias
Que escutar o outro
Se parece como uma folha
Rasgada 
Ao meio

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

VÍSCERA

A paixão
São meus poros
Sangrando
 Poesia

Lenço

A beleza de um homem
 Existe na malícia
Os acordes de um violão
O manuseio de um livro
Compor um corpo
Tocar o que pulsa
Agarrar as vísceras
O Intangível 
De alma vadia

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ALMA

Um verso mudo
É como um pensamento que não ousou se tornar palavra
Um sujeito não composto
Um paraíso sem maçã
Um homem sem um verso
É como um frasco de perfume
Onde a essência evaporou




LUPA


Quero crua
A saliva da vida
Que circula feito redemoinho sobre meu corpo
Quanto mais rebaixada
Mais na superfície pareço tocar
Como se habitar pelos detalhes
Fosse morar nos olhos do mundo

PASSOS

Ás vezes tropeço na calçada do outro
Aquela calçada não é minha
Um caminho a mais me parece um convite
Para desvirtuar um caminho que é o meu
Entre a calçada alheia e a calçada que me pertence
Existe um Eco
Feito da curiosidade que engrena a vida
Esse outro mora em mim
Traz correspondências de um alguém que já morreu
Quer me lembrar que coexisto no instante
Como se esquecer fosse o imperativo da vida