Tocar o outro
Sem palavras
Sem gestos
Sem movimentos
Sem sílabas
Sem pronúncios
Sem poesias
Tocar o outro
É transbordar a presença
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Tragar
Da vida
Tenho fome feroz
E da sede
Que ela tem de mim
Sou submersa
Nas nuvens encontro
A fumaça
Que eu trago a vida
Tenho fome feroz
E da sede
Que ela tem de mim
Sou submersa
Nas nuvens encontro
A fumaça
Que eu trago a vida
Ofício
O beijo
Que você me deu
Rema mais fundo
Do que o meu
O beijo que você perdeu
Dá mais trabalho
Obra da escolha
Tocou no eu
Viés
Ás vezes
Saio da análise
Tomo o caminho
Mais longo
Ao invés
Do mais curto
Ás vezes
Preciso de mais ruas
Pra me espaçar
Três coisas sobre ele
Daquele encontro
Duas ou três coisas
Eu diria
Uma delas
Substantivo primeiro
Seu cheiro
Ele não saberia que cheiro não se compra em perfumaria
Nem se pega por empréstimo de alguém
Cheiro é sexo
É carne que não se mastiga
É um gosto que finca na saliva
Da segunda ele não desconfia
Um deslize
Demarcar território em corpo impreciso
Ao tentar capturar
A altitude do voo
À dimensão da perda
Ele insistia em determinar
Lá pelas tantas
Eis a terceira
Me serviu uma fatia de Ato falho
Uma queda no meu olhar
O pássaro de asa amputada
Me disse: "as certezas me pescam"
E eu fiz
Uma dança
Em homenagem ao desencontro
Duas ou três coisas
Eu diria
Uma delas
Substantivo primeiro
Seu cheiro
Ele não saberia que cheiro não se compra em perfumaria
Nem se pega por empréstimo de alguém
Cheiro é sexo
É carne que não se mastiga
É um gosto que finca na saliva
Da segunda ele não desconfia
Um deslize
Demarcar território em corpo impreciso
Ao tentar capturar
A altitude do voo
À dimensão da perda
Ele insistia em determinar
Lá pelas tantas
Eis a terceira
Me serviu uma fatia de Ato falho
Uma queda no meu olhar
O pássaro de asa amputada
Me disse: "as certezas me pescam"
E eu fiz
Uma dança
Em homenagem ao desencontro
Devir criança
Há momentos da vida
Em que nos roubam a poesia
Vamos perdendo a simplicidade
Vamos perdendo a simplicidade
Casas grandes
Lugares sociais
Idealismos superficiais
Do destino da vida
Só teletransportamos
Nossas crianças animais
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Despertar
As flores
Inauguram em mim
O desejo de desabrochamento
No florescer da vida
Me admire
Me sinta
Me cheire
Não arranque minhas pétalas
Em meus espinhos
Sustento minhas malícias
BARBA
Sua voz
Provoca ruídos em meus ouvidos
Que só se atentam
Pro que a palavra esconde
Faça uma visita ao meu corpo
Quero o seu gosto
Misturado com meu cheiro
Quero sussurado
O toque que tange
O meu grito mais desmedido
Provoca ruídos em meus ouvidos
Que só se atentam
Pro que a palavra esconde
Faça uma visita ao meu corpo
Quero o seu gosto
Misturado com meu cheiro
Quero sussurado
O toque que tange
O meu grito mais desmedido
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
A MULHER É O REAL
Um batom vermelho
Remete a boca
De uma mulher
Uma mulher
Um vinho
Um olhar
O semblante de uma mulher
É como um abismo
Eu posso ver
Mas não posso tocar
Pássaros
O artista
Há de ser alguém alegre
Ou triste
Há de vestir-se dos extremos
Para dar oxigênio
A uma sociedade
Que não se tornou voar
terça-feira, 26 de setembro de 2017
Protesto
Engole essa língua
Que te ensinou a soletrar preconceitos
Se engasgue dessa arrogância intelectual
Disfarçada de Igualdade
Medo eu tenho dessa burguesia folclórica
Que desfila achismos
Que se veste de vanguarda
Mas na prática
Levanta bandeira:
Por uma Sexualidade Binária
Por uma Sexualidade Binária
Eu tenho nojo de disfarces
Se apresente como é
Porque na hora que o mata a mata começar
Eu quero ver
Se é o teu corpo
Que protestará
Gaia Guerrilha
Descolonizar os corpos
Que repousam sobre os nossos
Que pulsam nosso medo
Estupram nossos ímpetos
De tornar universal uma coisa chamada desejo
Que a poesia selvagem
Nos salve desse binarismo
Escravo da linguagem
Que nos engaveta
Pro massacre
Que ela possa nos servir
Como uma flecha
Que grita
Que resiste
Que milita
Que vive
Que acerta o alvo
Da diferença
Anunciação
As palavras não tem véu
São como são
As pintamos do nosso sentido
As subtraímos na gramática
Transbordam ao tocá-las
Despida palavra,
A corpo nu
Te inscrevo
domingo, 24 de setembro de 2017
Lacuna
Minha bolsa de expectativas
Anda cheia de faltas
A cada esquina
Desencontros me passeiam
Quero uma agenda para marcar um encontro comigo mesma
Tirar a limpo o que me toca e eu não canto
A pauta será tornar literal o indizível
Entregar ao sonoro o vívido
Fazer das palavras que me fogem uma espécie de hino
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
TELEFONE
Sua voz
Sussurra um antigo som que ecoa
No meu despertar
Um telefone sem fio
Modos diferentes de tratar
Uma linguagem em comum
Comunhão particular
Como lidar
Com o que não cabe falar
Com aquilo que é..
Pra já..
Com o que não pode esperar
Com o que vem alarmar
Que aquilo que contêm vida
Não pode tardar
Sussurra um antigo som que ecoa
No meu despertar
Um telefone sem fio
Modos diferentes de tratar
Uma linguagem em comum
Comunhão particular
Como lidar
Com o que não cabe falar
Com aquilo que é..
Pra já..
Com o que não pode esperar
Com o que vem alarmar
Que aquilo que contêm vida
Não pode tardar
MARÍTMO
Um barco
Um mar
Não sei se vou
Ou se fico
Uma lembrança
Um oceano
Há em mim o que permanece
Outro de mim que se aprofunda
Um eu
Um continente
Barcos de papel a flutuar
É de ancorar desejos
O mergulhar
Pra se encontrar
Um mar
Não sei se vou
Ou se fico
Uma lembrança
Um oceano
Há em mim o que permanece
Outro de mim que se aprofunda
Um eu
Um continente
Barcos de papel a flutuar
É de ancorar desejos
O mergulhar
Pra se encontrar
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Volta ao sol
O ano passa sobre mim
Eu passo sobre ele
Esse tal de Ano novo
Não me comanda nada
Pra um eu nascer
Abro as Ancas
Gemo
Faço parir:
Uma data fecundada
É de ser
Escrevo com os punhos
Debruço-me sobre o vazio
E o imenso
Dos verbos sentidos
Conjugando
O que fui
Existo no imprevisível
Oceano
Como tornar palavra
Aquilo que escapa?
É preciso metaforizar o indizível
Qual é o destino
Dos olhares que não se chocaram?
Dos olhares que não se chocaram?
No paradoxo mora
A linguagem inconsciente da vida
O impróprio da existência
É o que de mais próprio podemos nos encontrar
Lançar de conchas
Sobre o mar
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